25 TB por dia: como o Rio transforma dados em serviços
Por Redação |

Uma viagem de ônibus, um atendimento em uma unidade de saúde ou o registro de presença de uma criança na escola. Ações comuns como essas geram dados que podem revelar muito sobre o funcionamento de uma cidade e as necessidades de seus moradores.
No Rio de Janeiro, aproximadamente 25 terabytes de dados passam diariamente por uma infraestrutura que reúne informações de diferentes áreas da administração municipal. Mas como transformar todo esse volume em serviços públicos melhores?
Esse é o tema do novo episódio do Podcast Canaltech, gravado durante o HackTown 2026, em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais.
O repórter João Mello conversou com Fernanda Scovino, chefe do Escritório de Dados da IplanRio. Ela atua no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para a Prefeitura do Rio e lidera a governança do Data Lake da cidade.
O Data Lake funciona como uma infraestrutura integrada que conecta informações que antes ficavam separadas em diferentes secretarias. Entre elas estão dados de bilhetagem dos mais de 3 milhões de passageiros do transporte público, registros de frequência escolar e aproximadamente 150 mil atendimentos realizados diariamente nas unidades básicas de saúde.
Quando essas informações começam a conversar, a prefeitura consegue ter uma visão mais ampla das necessidades da população. Um dos exemplos apresentados na entrevista é o programa Pequenas Cariocas, voltado ao acompanhamento de gestantes, puérperas e crianças de até seis anos.
Ao reunir dados de saúde, educação e assistência social, o município pode identificar, por exemplo, uma mãe que não realizou exames importantes ou uma criança que precisa de acompanhamento mais próximo. A partir desse alerta, um agente de saúde pode entrar em contato ou ir até a residência da família.
A inteligência artificial também começa a fazer parte desse trabalho. Uma das aplicações em desenvolvimento ajuda a analisar documentos e apontar possíveis inconsistências, facilitando etapas de validação e fiscalização realizadas pelos servidores.
Mas Fernanda alerta que nem todo problema precisa ser resolvido com IA. Antes de adotar a tecnologia, é necessário entender o processo, organizar os dados e realizar testes em pequena escala. Se o sistema ainda apresentar respostas pouco confiáveis ou se o problema tiver muitas ambiguidades, a melhor decisão pode ser não usar inteligência artificial naquele momento.
A conversa também mostra como os dados podem ajudar a prefeitura a escutar melhor os moradores. Por meio de um chatbot no WhatsApp, a população pode enviar mensagens e áudios para acessar serviços ou relatar dificuldades.
Se várias pessoas disserem que não conseguem tomar uma vacina porque a unidade de saúde fecha antes de elas voltarem do trabalho, por exemplo, a prefeitura pode identificar o problema e avaliar alternativas, como ampliar o horário ou organizar um mutirão.
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Este podcast foi roteirizado e apresentado por Fernanda Santos e contou com reportagens de Viviane França e Danielle Cassita. A trilha sonora é de Guilherme Zomer, a edição de Natalia Improta e a arte da capa é de Erick Teixeira.